A ofensiva esclavagista dos poderosos
Num plenário realizado em Lisboa, a 14 de Dezembro, cerca de 220 delegados sindicais decidiram convocar uma greve dos trabalhadores do ramo da distribuição para a véspera de Natal.
“A proposta das empresas da "Distribuição Moderna" é desumana, faria a vida dos/as trabalhadores/as num 'inferno'", lê-se na resolução. “É o regresso ao século XIX, em que os trabalhadores comiam, dormiam e morriam ao pé das máquinas”, disse o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços.
Em causa está a proposta da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), de Novembro deste ano, que defende a hipótese de o período normal de trabalho poder ser aumentado até às 60 horas semanais, uma actualização salarial de um por cento em 2009 e 2010 e a realização de mais contratos a termo para "lançamento de nova actividade ou início de laboração de nova empresa ou novo estabelecimento".
No que ao horário laboral diz respeito, as empresas de distribuição desejam aumentar o período normal de trabalho até mais quatro horas por dia, num máximo de 60 horas por semana e 200 por ano. Os super e hiper mercados pretendem ainda o direito de informar o trabalhador de que vai fazer horas extra apenas na véspera e que estas contem apenas como horas normais de trabalho, quando chegar a altura de as pagar.
Os patrões explicam que estão só a tentar aproveitar as oportunidades do novo código do trabalho e que estarão mesmo a aplicar a lei. E dizem que estas acusações são “desleais”, porque “a negociação só começou há uma semana”.
No mundo da Declaração Universal dos Direitos do Homem, é com propostas destas que nos damos conta de que a escravatura, que queríamos erradicada, se cobre de vestes modernas para se voltar a impor, dentro dos limites do actualmente possível. Na Europa da Carta dos Direitos Fundamentais, acha-se normal que as exigências do lucro não tenham pejo em se sobreporem a qualquer réstia de dignidade humana. No planeta de “o melhor do mundo são as crianças”. Pede-se-lhes que abdiquem dos seus pais “apenas” mais 4 horas diárias, num máximo de 60 semanais e 200 anuais.
Mais do que uma situação particular, está aqui, mais uma vez, em causa essa ideia de um ser humano reduzido a pior do que mercadoria, a mera e descartável engrenagem da grande máquina de fazer dinheiro. Apelamos, por isso, a acções de solildariedade, para o dia 24 de Dezembro, num super ou hiper mercado perto de ti. Tanto no sentido de apoiar os grevistas, ajudando-os a denunciar a situação, como no de desmotivar pessoas de fazerem compras em algum que eventualmente esteja aberto.
Actualização: Greve Desconvocada
Estudo sobre trabalhadoras de supermercado
http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1218707220Y9uPK5hx9Zo94HJ4.pdf


Comentários
Boa tarde! É só para dizer
Boa tarde! É só para dizer que este "layout" com fundo preto e letras brancas não facilita a leitura! Prefiro fundo branco e letras pretas! Continuação de um bom trabalho!
Popota e Leopoldina
Será que a Popota e Leopoldina estão de acordo?
Daqui por uns anos quando
Daqui por uns anos quando formos a uma entrevista de trabalho para alem de nos pedirem toda a decumentaçao,hablitaçoes escolares,registo criminal entre outras coisas pedem tambem uma almofada e um pijama porque apartir do dia que assinarmos contracto passamos a viver sob alçada do patrão e deixamos de ter vida propria trabalhamos,produzimos (escravizados) para o bom funcionamento do pais.
Mas salario digno NADA!!!!
EMPRESAS QUEREM ESCRAVIZAR.
ESCRAVIZAM É O CAR**HO!!!
BASTA!!!
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